terça-feira, 22 de novembro de 2011

Até já .



Sinto a brisa a tocar-me no rosto, a percorrer os meus longos cabelos castanhos, sinto a areia a cobrir-me os pés. Mergulho os dedos na agua deixando que o impacto do frio me envolva a mão. De mãos dadas caminhamos lado a lado no extenso areal. O teu olhar foca num pensamento distante, já não sinto o teu coração quente, os teus labios vão ficando secos dia após dia, o teu toque é falso tal como as palavras que citas. Algo está de errado contigo com as tuas atitudes, penso e repenso no motivo que te levou ficar assim. No nosso dia aguardas-me sentado num banco de jardim. Sinto-te nervoso, inseguro e com medo com o que tu proprio dizias, agarras-me e puxas-me contra ti dizendo que vou ser sempre a tua menina dando-me um beijo na face e pegando as minhas mãos cuidadosamente. Das-me um até já e viras costas, com as mãos nos bolsos segues o teu caminho deixando-me ali. Procuro por noticias tuas depois dessa tarde e não obtenho nada, chamadas e mensagens desesperadas por falta de noticias tuas, por incompriensão do teu “até já”. As lagrimas não faziam parte do meu rosto, o meu olhar nunca tinha estado tão distante, o meu coração nunca se tinha quebrado em pedaços, o meu sorriso nunca tinha perdido a energia e a motivação. A cobertura a que chamava chão, foi-se desmoronando fui ficando com buracos que por baixo desse chão havia uma enorme fossa escura, sem ter por onde fugir do desmornar, caí. Nada existia a minha volta só a minha presença que me incomodava com perguntas. Dia após dia nessa imensa escoridão fui ganhando coragem para me levantar, comecei por pôr o sentimento de lado. Fui ganhando confiança em mim, fui vendo uma luz que se apróximava cada vez mais de mim. Como se uma corda de salvamento tivesse estado sempre ali mas nunca tinha reparado nela. Saí, do fundo e fui dando um passo de cada vez muito levezinho com medo de cair novamente. O meu chão foi-se reconstituindo após dias e meses. Hoje veijo-te de longe ouvindo-te citar o meu nome com toda a confiança e carinho. Mas já não corro até ti como fazia, já não me conforto nos teus braços como antes. Dizes-me que precisavas de um tempo para te encontrares e que aquela foi a melhor maneira que encontras-te para o fazer. Dizes que me queres de volta que finalmente encontras-te o verdadeiro rapaz que és, mas agora sou eu que preciso de mais tempo para mim, o meu coração ainda sangra do “até já”, a ferida ainda não sarou. Passo a minha mão pela tua face sorrindo para ti dizendo: “o que é eterno nem o tempo leva”. E sigo o meu caminho. Tenho a certeza que ainda nos vamos encontrar, não agora, não daqui nada mas daqui a algum tempo quando amadurecermos. Até já . 

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